O CRN7 diz NÃO ao EaD


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O CRN7 É CONTRA A MODALIDADE EAD

 

 

 

 

Conforme o site do Ministério da Educação http://portal.mec.gov.br/instituicoes-credenciadas/educacao-superior-a-distancia, a Educação a Distância é a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. Esta definição está presente no Decreto 5.622, de 19.12.2005 (que revoga o Decreto 2.494/98), que regulamenta o Art. 80 da Lei 9.394/96 (LDB).

 

É visto também que o Credenciamento das IES esta previsto no Art. 80 da Lei 9.394/96 (LDB). A instituição interessada em oferecer cursos superiores a distância precisa solicitar credenciamento específico à União. As IES Credenciadas para oferta de cursos superiores a distância podem, de acordo com o Parecer CES/CNE n. 301/2003, homologado pelo Sr. Ministro da Educação Tarso Genro em 6 de agosto de 2004, publicado no DOU de 9 de agosto de 2004, seção 1, p. 26, no uso de sua autonomia, criar novos cursos superiores sem necessidade de autorização do MEC, estando submetidos apenas aos processos de reconhecimento, pela mesma Instituição – o MEC (Ministério de Educação e Cultura). Sendo que os processos de reconhecimento deverão ser solicitados pela IES quando o curso de graduação tiver completado 50% de sua carga horária. O reconhecimento do curso é condição necessária para a validade nacional dos respectivos diplomas.

 

Cabe ressaltar que, conforme o § 2o do Art. 28 do Decreto 5773 de 09 de maio de 2006, transcreve-se, “A criação de cursos de graduação em direito, medicina, odontologia e psicologia, inclusive em universidades e centros universitários, deverá ser submetida, respectivamente, à manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ou do Conselho Nacional de Saúde”.

 

De acordo com o exposto, verifica-se que o Ministério da Educação aprova a modalidade EaD, mas isso não significa que os Conselhos de Classe aceitem.

 

Destacam-se alguns pontos de reflexão, para este cenário. A pergunta que deve ser feita é: Por que EaD? Seria uma tentativa de solucionar o momento atual da Educação no Brasil? Seria uma solução pela falta de professores de qualidade no País? Seria uma tentativa de diminuir os custos das faculdades a partir de diminuição de aulas presenciais? Ou o objetivo seria aumentar os lucros das faculdades que aderiram à modalidade?

 

Em qualquer lado que se olhe a situação da Educação no Brasil é crítica, não seria diferente na área do ensino superior. Mas o EaD é a SOLUÇÃO? Seria uma questão política e de poder das instituições particulares? O que se observa é o crescimento expressivo do EaD ao longo da década de 2000, passando de 6 mil vagas para 1,7 milhão em 2010. Logo, quem ganha com isso é o setor privado, que detém mais de 90% das vagas EaD, conquistando, assim um enorme poder e pressão sobre ações que eventuais órgãos de controle do sistema educacional possam vir a ter no futuro para reverter tal situação.

 

Sabe-se que a maior parte das vagas oferecidas no EaD é na área de Educação, seguida pela área de gerenciamento e administração; e por fim, nas áreas sociais, informática e contabilidade. Porém, o cenário está mudando, as vagas na área da saúde estão sendo ofertadas de forma abrangente e expressiva no País, e quem sabe de forma leviana. Evidentemente, poder-se-ia argumentar que é natural que Medicina e Odontologia sejam incompatíveis com o EaD por exigirem uma experiência prática com pessoas. Mas vemos que o mesmo argumento não valeria para os outros cursos da área da saúde, como NUTRIÇÃO, por exemplo. E para os professores, cuja totalidade da vida profissional será em contato direto com alunos, o argumento não seria mais forte? E para os professores nutricionistas que ministram aulas essencialmente práticas, como: avaliação nutricional, técnica dietética, produção de alimentos e segurança alimentar, estágios, entre outros, como formá-los sem um intenso contato com práticas experimentais, de laboratório, de vivência em Unidades de Saúde, Unidades de Alimentação e Nutrição, Hospitais, Escolas, e outros locais? E para os alunos sem perspectiva de integrar aos projetos de extensão, programas de iniciação científica, monitorias, estágios, jornadas e simpósios na instituição, práticas integradas focalizando o aspecto global e suas interações com o ambiente, seguida do detalhamento das áreas e suas inter-relações.

 

Além disso, os testes de múltipla escolha são praticamente a única forma de avaliação do discente no EaD. Se o aluno fizer a avaliação pelo computador, sem controle ou acompanhamento, é óbvio que poderá falsificar um exame. O risco é real. Neste contexto, pergunta-se: e as rodas de conversa, discussões de casos clínicos e artigos científicos, debates sobre temas atuais e regionais, seminários integrados, elaboração de produtos, avaliação de procedimentos práticos, entre outros. Sendo assim, questiona-se: O processo de avaliação pelo EaD é o mais adequado?

 

Geralmente, os cursos EaD são idealizados e formatados somente com vídeo-aulas. O melhor formato é aquele baseado em "comunidades de aprendizagem", com interação entre alunos e com professores, no qual não esta acessível para todos os discentes, por diversos fatores, entre eles disponibilidade de rede internet e custo.

 

É fato que, não dá para comparar curso à distância com curso presencial porque são duas metodologias de ensino completamente diferentes. O que deve ser questionado é se o aluno EaD atingirá as competências, habilidades e atitudes necessárias para ser um profissional com formação generalista, humanista e crítico-reflexivo, conforme preconiza as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Nutrição. O que deve ser questionado é se o Ensino a Distância formará profissionais como sujeitos sociais com competências éticas, políticas e técnicas e dotados de conhecimento, raciocínio, crítica, responsabilidade e sensibilidade para as questões da vida e da sociedade, capacitando-os para intervirem em contextos de incertezas e complexidades.

 

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN - surge na educação superior definindo, entre seus objetivos, a prerrogativa ao conhecimento dos problemas do mundo atual (nacional e regional) e a prestação de serviço especializado à população, estabelecendo com ela uma relação de reciprocidade. Tais finalidades foram reafirmadas pelas Diretrizes Curriculares, para a maioria dos cursos da área de saúde, acolhendo a importância do atendimento às demandas sociais com destaque para o Sistema Único de Saúde - SUS. Neste cenário atual, as Instituições de Ensino são convocadas a mudarem suas práticas pedagógicas, numa tentativa de se aproximarem da realidade social e de motivarem seus corpos docente e discente a tecerem novas redes de conhecimentos.

 

Dessa forma, observa-se que o panorama atual esta sendo contemplado pela inclusão de METODOLOGIAS ATIVAS no aprendizado do discente, permitindo a formação de um profissional de saúde ativo e apto a aprender a aprender, isto é, deve compreender o aprender a conhecer, o aprender a fazer, o aprender a conviver e o aprender a ser, garantindo a integralidade da atenção à saúde com qualidade, eficiência e resolutividade. Pergunta-se: o ensino a distância vai proporcionar isso ao aluno?

 

Ressalta-se aqui que não é preconceito ou ignorância que esta sendo discutido sobre a modalidade EaD, pois hoje já esta bem esclarecido e definido as propostas deste ensino. O que se discuti é a qualidade e a monitorização do ensino a distância, o aprendizado prático adquirido pelo discente e, principalmente, a inclusão desse profissional no mercado de trabalho.

 

Diante dos fatos apresentados, em razão da finalidade da existência dos Conselhos de Profissões, temos a responsabilidade e finalidade de fiscalizar o exercício profissional dos Nutricionistas em todas suas atividades; portanto nossa ingerência quanto à qualidade da formação, nos trará obviamente grandes e inevitáveis preocupações, quanto ao monitoramento desse exercício profissional nas diferentes áreas de atuação do Nutricionista, onde a origem de sua formação foi por meio do EAD.

 

O CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS DA 7ª REGIÃO É CONTRA A MODALIDADE EAD PARA OS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM NUTRIÇÃO EM SUA JURISDIÇÃO. TEMOS CONVICÇÃO QUE A FORMAÇÃO COM QUALIDADE EM NUTRIÇÃO, SOMENTE COM ENSINO PRESENCIAL. LOGO, O CRN-7 NÃO APOIARÁ AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO QUE ADERIREM A MODALIDADE EaD.

O CRN-7 CHAMA OS NUTRICIONISTAS DA JURISDIÇÃO PARA FAZER PARTE DESSA LUTA. DIGA NÃO A GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA.

 

A DIRETORIA DO CRN7

Gestão Nova Era